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terça-feira, 22 de abril de 2008

Tudo que vai

Hoje é o dia
Eu quase posso tocar o silêncio
A casa vazia
Só as coisas que você não quis
Me fazem companhia
Eu fico à vontade com a sua ausência
Eu já me acostumei a esquecer

Tudo que vai
Deixa o gosto, deixam as fotos
Quanto tempo faz
Deixam os dedos, deixa a memória
Eu nem me lembro mais

Salas e quartos
Somem sem deixar vestígio
Seu rosto em pedaços
Misturado com o que não sobrou
Do que eu sentia
Eu lembro dos filmes que eu nunca vi
Passando sem parar
Em algum lugar.

Tudo que vai
Deixa o gosto, deixa as fotos
Quanto tempo faz
Deixa os dedos, deixa a memória
Eu nem me lembro mais

Fica o gosto, ficam as fotos
Quanto tempo faz
Ficam os dedos, fica a memória
Eu nem me lembro mais

Quanto tempo, eu já nem sei mais o que é meu
Nem quando, nem onde


(Dado Villa-Lobos / Alvin L. / Tony Platão)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Tropeço

Não pude ver o que estava a me aguardar
Tanto barulho tanta distração
Meio perdido não dirijo meu olhar
E os passos seguem noutra direção
Sempre penso em algo infalível pra falar
Quando já não importa o que eu disser

Meu sorriso amarelou
Reagi sem tempo pra pensar
Certamente não foi a melhor decisão
Certamente...

Não percebi a força posta no andar
Até o instante em que tropecei
A textura do asfalto vem me amparar
Já sei exatamente onde eu errei

Já é hora de levantar, enfrentar e inventar
Já é hora de conversar, respeitar e abraçar
Já é hora de plantar, colher e dividir
Já é hora de ganhar e de perder e amar

Não percebi correntes me prendendo aqui
Até o instante em que tentei partir...


(Dado Villa-Lobos / Lourenço Monteiro)

Quase Nada

Tanta coisa simples
Mas a gente não
Vejo bem do alto
Asa do avião

Ritmos e cores
Bem à vontade diante de mim
Lábio e ritmo negro
Que samba canção

Os lugares são simples
E paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela

O mundo não parece mais que um chão
Seria um chão se eu vivesse em pouco melhor
Só vendo a paisagem
Só vendo a beleza passando ao redor

Toda esperança tem um fio muito curto
Quando perco a metade parece quase tudo
Quase tudo, quase tudo
Que tenho pego como a areia pega a mão
E quando fica alguma coisa é quase bom
Melhor que um dia atrás do outro sem ilusão

Os lugares são simples
E paisagens tão belas
Mas dentro delas nao há nem eu
Sem ela


(Dado Villa-Lobos / Humberto Effe)

Nos Lençóis

Acordei flutuando
Num sonho bom
Tirei os meus pés do chão
Passeei além dos muros
Que cercam meu coração
Eu já chorei
Eu já sangrei
Mas agora estou voando
O vento sopra o meu destino
Não vou olhar pra trás.

Mas por favor
Não me abra os olhos
Eu não lhe quero mal
Mas me deixe pelo ar
Só tenho paz
Depois de um sonho.

Já chorei
Já sangrei
Me perdi nos meus lençóis
Agora estou voando
E não quero dar com meus pés no chão
Melhor sonhar do que chorar



(Dado Villa-Lobos / China)