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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Até o Fim

Quando nasci
Veio um anjo safado
O chato dum Querubim
E decretou
Que eu tava predestinado
A ser errado assim
Já de saída
A minha estrada entortou
Mas vou até o fim...

"Inda" garoto
Deixei de ir à escola
Caçaram meu boletim
Não sou ladrão
Eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro
É o que jamais me esperou
Mas vou até o fim...

Eu bem que tenho
Ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou
Que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como
O Maracatu começou
Mas vou até o fim...

Por conta de umas questões
Paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir
As minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga
Minha mula empacou
Mas vou até o fim...

Não tem cigarro
Acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu
Com o dono da venda
O que será de mim?
Eu já nem lembro
"Pronde" mesmo que vou
Mas vou até o fim...

Como já disse
Era um anjo safado
O chato dum Querubim
Que decretou
Que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída
A minha estrada entortou
Mas vou até o fim...

"-Como já disse
Era um anjo safado
O chato dum Querubim
Que decretou
Que eu tava predestinado
A ser todo ruim
Todo ruim, todo ruim".

(Chico Buarque)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Palavras

Não, tente me enganar
Vejo em seu olhar
Que já não existe
Aquele mesmo amor
Que nunca esperou
Acabar tão triste.

Não tente me dizer
Palavras que eu
Já não acredito
Eu posso compreender
O que restou de um amor
Que foi tão bonito.

Eu fiz daquele amor
O meu sonho maior
Minha razão de tudo
Foi pouco o que restou
De tanto que existiu
Recordações e nada mais.
O que restou, recordações
E nada mais

Não, não vá me dizer
Palavras que venham
Me fazer chorar depois
Eu sei que vou viver
Por muito tempo ainda
Das lembranças de nós dois.


(Roberto Carlos)

Versos Perdidos

As frases são minhas
As verdades são tuas
Enquanto te desejo
Me vejo chorando no meio da rua
Beijo teu sorriso num dia de sol
Que entra pela porta
e canta pela janela

A noite mãe do dia
Molhava tua boca
Na língua da poesia
Oh meu grande amor de versos perdidos
Murmurando na chuva como um refrão
Que só faz sentido
no fundo da cama.


(Zeca Baleiro / Nosly / Fausto Nilo)

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Você é Má

Vá se danar! Você dá nada a ninguém,
Nenhum olhar, nunca falou: tudo bem!
Tem, mas não dá, sorrir jamais lhe convém,
Você é má, mas há de ter um bem!

Você dá nada a ninguém, vá se danar!
Danada não perde o trem, sabe nadar,
Mas nada sabe de alguém que sabe amar,
Eu quero ser seu bem, você é má!

Você é maluca, você é malina,
Você é malandra, só não é massa!
E você magoa, e você massacra,
E você machuca, e você mata!...

Vá se danar, você dá nada a ninguém,
Nunca dará, nem mesmo um simples amém
A Deus dirá, diz que não vai à Belém,
Você é má, mas pode ter um bem!

Você dá nada a ninguém, vá se danar!
Danada finge tão bem, sabe negar
Jamais dará a quem tem demais pra dar,
Mas eu serei seu bem, você é má!


(Zeca Baleiro e Joãozinho Gomes)

O coração do homem-bomba

O coração do homem-bomba faz tum tum
Até o dia em que ele fizer bum.


(Zeca Baleiro)