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quinta-feira, 11 de junho de 2009

Porque eu sei que é amor

Porque eu sei que é amor
Eu não peço nada em troca
Porque eu sei que é amor
Eu não peço nenhuma prova

Mesmo que você não esteja aqui
O amor está aqui
Agora
Mesmo que você tenha que partir
O amor não há de ir
Embora

Eu sei que é pra sempre
Enquanto durar
E eu peço somente
O que eu puder dar

Porque eu sei que é amor
Sei que cada palavra importa
Porque eu sei que é amor
Sei que só há uma resposta

Mesmo sem porquê eu te trago aqui
O amor está aqui
Comigo
Mesmo sem porquê eu te levo assim
O amor está em mim
Mais vivo

Porque eu sei que é amor.


(Sérgio Britto / Paulo Miklos)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Sacos Plásticos

Eu quero ser
Um desses sacos plásticos
Que você traz do supermercado
Eu posso ser
Um desses automóveis
Nesse trânsito congestionado

Me deixa ser seu lixo
Seus dejetos, qualquer desses objetos
Sem utilidade
Que você vai levar
Pela eternidade

Vou entrar na sua vida
Você não vai viver sem mim
Vou estar por todo lado
No seu mundo até o fim

Eu quero ser um desses gases tóxicos
Que se prendem na atmosfera
Eu posso ser um desses conservantes
Que contaminam a vida pela terra

Me deixa ser seu erro
Seus tormentos, qualquer desses sentimentos
Que tiram o seu sono
E vão tomar o lugar
Dos seus sonhos

Eu quero ser aquele spray de cabelo
Que você usa de um jeito bizarro
Eu posso ser aquela nicotina
Que envenena o seu cigarro

Me deixa ser seu medo
Seus problemas
Qualquer desses teoremas
Que não tem resposta
E você vai saber
Que não tem mais volta.


(Branco Mello / Paulo Miklos)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Flores

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo

A dor vai curar essas lástimas
O soro tem gosto de lágrimas
As flores têm cheiro de morte
A dor vai fechar esses cortes
Flores
Flores
As flores de plástico não morrem

Olhei até ficar cansado
De ver os meus olhos no espelho
Chorei por ter despedaçado
As flores que estão no canteiro
Os punhos e os pulsos cortados
E o resto do meu corpo inteiro
Há flores cobrindo o telhado
E embaixo do meu travesseiro
Há flores por todos os lados
Há flores em tudo que eu vejo.


(Tony Bellotto / Sérgio Britto / Charles Gavin / Paulo Miklos)