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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Fiz o que pude

Eu não vou mais chorar
Eu fiz o que pude
Não paro de pensar
A tua ausência que me ilude
Não posso acreditar
Que eu não pude
Parar para te esperar
Essa distância me ilude

Não dá mais pra continuar assim
Eu quero que você me ajude
Eu quero que você volte a acreditar em mim
Mas, para isso, é preciso que eu mude

Eu acho que ainda sou moço
Eu acho que ainda não morro
Eu acho que ainda é possível
Que eu consiga viver em paz.

(Nando Reis)

terça-feira, 9 de junho de 2009

Hoje eu te pedi em casamento

E eu falei,
Contra toda a granada disparada
Pela minha ansiedade
E a fragilidade e a insegurança
Sobre toda a vontade desenhada
Pela minha intensidade
E a ingenuidade de uma criança
Que é você que eu quero
Com você eu quero me casar.

E eu farei,
Contra toda a risada e a maldade
Que minha imbecilidade
Deixou margem pra desconfiança.
Contra todo o mau olhado e a inveja
De quem não se basta, sobra na irrelevância
Pois é você que eu quero
Pra você eu quero me entregar

Assim
Ruivo e do meu tamanho
Assim
Míope e descabelado
Assim
Louco e apaixonado
Extrovertido
Quente
Diferente
Ardente
Tímido
Original.

E eu darei
O conforto e a tranqüilidade
Que uma tarde ensolarada
Na cidade de São Paulo
Vem com importância
O consolo dos meus ombros
Se as lágrimas molharem o seu rosto
Que as sardas
Enfeitaram com elegância
Se é você que eu quero
Pois você consegue me acalmar.


(Nando Reis)

Só pra Sô

Sophia
O seu sorriso é um horizonte
Seus olhos criam um universo
O charme do teu ombro esconde
A surpresa o teu mistério

Sophia
Você é a própria novidade
Que atualiza o que te cerca
O sangue que passeia na avenida
Ida e vinda , veia e artéria

Sofria vendo eu me destruir
Sem conseguir me parar
Sofri vendo você pedir
As coisas que eu não pude dar
Sofreu mais do que deveria
Sofro a cada vez que te faço chorar

Sophia
Meu medo é te ver machucada
Errei por ter te machucado
Seu pai é um homem indomável
Um provável homem doce

Sophia
Me assusta tão igual que somos
Você costura a minha sombra
Eu só queria nessa vida
Aprender saber te amar.


(Nando Reis)

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Conta

Desde o dia que perdi minha mãe
Eu me perdi de mim também
Perdi no mundo o que era o mundo meu
- minha mãe
E eu não sei o que sou sem ela
Só sei que ela me deixou
Por que ela me deixou?
Por que ela me deixou?
Ela me deixou
Por que ela me deixou?

Nesse dia, o dia em que eu perdi minha mãe
Eu me dei conta que eu estava só por minha conta
Mesmo tendo o meu pai, esse que eu amo
A minha conta não fecha
Essa conta nunca mais fechou
Nunca mais fechou
Nunca mais fechou
Essa conta não se fecha
Nunca mais fechou

Estou aqui, estou aqui, fiquei aqui
Você não está, você não está, não está mais
Eu quero te ver, quero te ver, para te ver
É preciso sonhar.

E a partir desse dia, desse dia em diante
Minha alegria se transformou
Minha família aumentou bastante
Sou pai de cinco filhos
Mas um filho-pai apenas, criança sou
Uma criança sou
Uma criança sou.


(Nando Reis)

Drês

Três dias atrás
Tudo era diferente
Três dias pra frente
Nada vai ficar igual
E eu tenho medo

É longe demais
Leva muito tempo
Ficou aqui dentro
Não some nunca mais
Foi muito cedo

Somos vegetais
Da flor a semente
Há pedra na gente
Efervescentes minerais
De ouro e vento

Terrenos mortais
Eternos no presente
Impérios latentes
dos tempos ancestrais
sonho e segredo

Três dias a mais
Todos drês e urgentes
Três dias somente
Poucos mas fundamentais
Eu te desejo


(Nando Reis)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Pára-Raio

Passa o tempo, lento ensaio
Espero você aqui
Paro dentro, entro e saio
Falta você aqui

Calo invento, quieto falo
Trago você aqui
Lato intenso em detalhes
Quero você aqui

Abro e vejo da janela
Fogos de artifício
Estrelas em mosaico
Vidro opaco a luzir

Vasto imenso, feito em partes
Fácil para construir
Rasgo ao meio em metades
Acho você dentro de mim

Seu brinquedo imaginário
Feito pra te distrair
Paro dentro, entro e saio
Falta você aqui

Noite inteira, fim de tarde
Meu calendário marca o infinito
Em trincheiras que escavo
Acho você dentro de mim

Assim como o sal feito no mar
Azul como o céu e a imensidão
Que enche o pulmão de pleno ar
Achei seu lugar meu.


(Samuel Rosa / Nando Reis)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Marvin

Meu pai não tinha educação
Ainda me lembro
Era um grande coração
Ganhava a vida
Com muito suor
E mesmo assim
Não podia ser pior
Pouco dinheiro
Prá poder pagar
Todas as contas
E despesas do lar...

Mas Deus quis
Vê-lo no chão
Com as mãos
Levantadas pr'o céu
Implorando perdão
Chorei!
Meu pai disse:
"Boa sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:
"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer"...

E três dias depois de morrer
Meu pai, eu queria saber
Mas não botava
Nem os pés na escola
Mamãe lembrava
Disso a toda hora...

E todo dia
Antes do sol sair
Eu trabalhava
Sem me distrair
As vezes acho que
Não vai dar pé
Eu queria fugir
Mas onde eu estiver
Eu sei muito bem
O que ele quis dizer
Meu pai, eu me lembro
Não me deixa esquecer
Ele disse:
"Marvin, a vida é prá valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino
Eu sei de cor"...

-"E então um dia
Uma forte chuva veio
E acabou com o trabalho
De um ano inteiro
E aos treze anos
De idade eu sentia
Todo o peso do mundo
Em minhas costas
Eu queria jogar
Mas perdi a aposta"...

Trabalhava feito
Um burro nos campos
Só via carne
Se roubasse um frango
Meu pai cuidava
De toda a família
Sem perceber
Segui a mesma trilha
E toda noite minha mãe orava
Deus!
Era em nome da fome
Que eu roubava
Dez anos passaram
Cresceram meus irmãos
E os anjos levaram
Minha mãe pelas mãos
Chorei!
Meu pai disse:
"Boa sorte"
Com a mão no meu ombro
Em seu leito de morte
E disse:

"Marvin, agora é só você
E não vai adiantar
Chorar vai me fazer sofrer"
"Marvin, a vida é prá valer
Eu fiz o meu melhor
E o seu destino eu sei de cor"...


(Sergio Britto / Nando Reis)

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Renascença

Quis sim mergulhar
Mil vezes nesse mar
Fui te procurar
A rua inteira

Mil gols outros mais
Fiz assim como um milagre
Luz do seu olhar
E vela acesa

Servi em humildade
Mil e uma utilidades
Corpo de escravo
Pé da mesa

Supri necessidades
Sumi desnecessário
Sujo e covarde
Seu brinquedo

Ri seu tenso lábio
Ri assim com medo

frágil
Tudo é verdade
Pra vista alheia

Vida eternidade
Fim mortalidade
Sonho acordado
Renascença

Mas isso acabou
Vou te matar
De amor


(Samuel Rosa / Nando Reis)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Sutilmente

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce

Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti.



(Samuel Rosa / Nando Reis)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Ainda gosto dela

Hoje acordei sem lembrar
Se vivi ou se sonhei
Você aqui nesse lugar
Que eu ainda não deixei

Vou ficar?
Quanto tempo vou esperar?
E eu não sei o que vou fazer, não

Nem precisei revelar
Sua foto não tirei
Como tirei pra dançar
Alguém que avistei

Tempo atrás
Esse tempo está lá trás
E eu não tenho mais o que fazer, não

Eu ainda gosto dela
Mas, ela já não gosta tanto assim
A porta ainda está aberta
Mas da janela já não entra luz
E eu ainda penso nela
Mas, ela já não pensa mais em mim, em mim, não

Ainda vejo o luar
Refletido na areia
Aqui na frente desse mar
Sua boca eu beijei

Quis ficar
Só com ela eu quis ficar
E agora ela me deixou.



(Samuel Rosa / Nando Reis)

Pára-Raio

Passa o tempo, lento ensaio
Espero você aqui
Paro dentro, entro e saio
Falta você aqui

Calo invento, quieto falo
Trago você aqui
Lato intenso em detalhes
Quero você aqui

Abro e vejo da janela
Fogos de artifício
Estrelas em mosaico
Vidro opaco a luzir

Vasto imenso, feito em partes
Fácil para construir
Rasgo ao meio em metades
Acho você dentro de mim

Seu brinquedo imaginário
Feito pra te distrair
Paro dentro, entro e saio
Falta você aqui

Noite inteira, fim de tarde
Meu calendário marca o infinito
Em trincheiras que escavo
Acho você dentro de mim

Assim como o sal feito no mar
Azul como o céu e a imensidão
Que enche o pulmão de pleno ar
Achei seu lugar meu.



(Samuel Rosa / Nando Reis)

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Monóico

Aparte aquilo que a gente quer
Eu sou um homem, você é uma mulher
Se estou com fome você me traz uma colher
E eu me alimento

Mas na verdade isso tanto faz
Sou só metade se você é meu par
Eu só queria com você me casar
Pois você me completa

Eu sou um antúrio, você é um hibisco
Eu quero tudo e sempre tudo coloco em risco
E num mergulho eu acho que sou seu marido
E eu me afogo

Sinto seu dedo mas não vejo a sua mão
Não sinto medo quando estou deitado olhando pro chão
E o meu relevo ofereço pra sua visão
E você me afaga

Quero que sua lingua lamba o meu corpo nu
E que o meu sexo te dê todo o céu azul
Nas suas pernas se encrava o tesouro do meu baú
E eu te abuso

Me dê seu leite como meu licor
Me dê seus peitos cheios de amor
Me dê um beijo sem nenhum pudor
E você me penetra



Raspe meu sal como um animal
Use sua boca me faça seu fio dental
Solte meu cinto, sou seu guia e farol
E eu te ilumino

Diga seu nome que eu revelo minha identidade
Mate minha fome que eu farei tuas vontades
Uma esfinge cercada por três pirâmides
Você me enterra

Sou sua sombra, seu espelho, sua ilusão
Você é meu leito, minha onda, minha missão
Não temos tempo precisamos de solução
E quem é que espera?

Temos dois lados, pois temos frente e verso
Me queira inteiro assim te imploro e peço
Sou mais que o avesso sou seu fogo seu forro seu
ferro
E eu te engulo

Eu sou um homem você é uma mulher
Você me come porque eu quero ser sua mulher
E eu quero o homem que come essa mulher
Será que você me entende?

E finalmente restaremos só osso e pó
Sejamos homens, mulheres, qualquer um de nós
Fatalmente terminaremos sós
Mas você: a quem pertence?

Você pertence à você



(Nando Reis)

terça-feira, 27 de maio de 2008

A Minha Gratidão é Uma Pessoa

Depois de pensar um pouco
Ela viu que não havia mas motivo, nem razão
E pôde pordoá-lo

É fácil culpar os outros
Mas a vida não precisa de Juízes a questão
É sermos Razoáveis

E por isso voltou
Por que sempre o amou
mesmo levando a dor daquela mágoa,
mas segurando a sua mão
Sentiu sorrir seu coração
e amou-o como nunca havia Amado

Mas como começar de novo
Se a ferida que sangrou
Me acostumou a me sentir
Prejudicado?

É só você lavar o rosto
E deixar que a agua suja
Leve longe do seu corpo
Um infeliz passado

E por isso voltou
Pra quem sempre amou
mesmo levando a dor e aquela mágoa,

e viveram felizes
e para sempre
Eles estavam livres
Da perfeição que só fazia estragos



(Nando Reis)

Por onde andei

Desculpe estou um pouco atrasado
Mas espero que ainda dê tempo
De dizer que andei errado e eu entendo

As suas queixas tão justificáveis
E a falta que eu fiz nessa semana
Coisas que pareceriam óbvias até pr'uma criança

Por onde andei enquanto você me procurava
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava

Amor eu sinto a sua falta
E a falta é a morte da esperança
Como um dia que roubaram seu carro
Deixou uma lembrança

Que a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama

Por onde andei enquanto você me procurava
E o que eu te dei foi muito pouco ou quase nada

E o que eu deixei algumas roupas penduradas
Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava



(Nando Reis)

Luz dos Olhos

Ponho os meus olhos em você, se você está
Dona dos meus olhos é você, avião no ar
dia pra esses olhos sem te ver, é como o chão do mar
Liga o radio a pilha, a TV, só pra você escutar
A nova música que eu fiz agora
Lá fora a rua vazia chora

Os meus olhos vidram ao te ver, são dois fãs, um par
Pus nos olhos vidros pra poder, melhor te enxergar
Luz dos olhos para anoitecer, é só você se afastar
Pinta os lábios para escrever, a tua boca é minha

Que a nossa musica eu fiz agora, lá fora a lua irradia
a glória
E eu te chamo, eu te peço vem
Diga que você me quer, porque eu te quero também

Passo as tardes pensando
Faço as pazes tentando te telefonar
Cartazes te procurando
Aeronaves seguem posando sem você desembarcar
Pra eu te dar a mão nessa hora
Levar as malas pro fusca lá fora

E eu vou guiando, eu te espero vem
Siga onde vão meus pés, que eu te sigo também
Por que eu te amo e eu berro vem
Grita que você me quer porque eu te quero também



(Nando Reis)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Na Estrada

Ela vai voltar, vai chegar
E se demorar, I´ll wait for you
Ela vem, e ninguém mais bela
Baby, I wanna be yours tonight
Sem botão, no tempo, no topo, no chão
em cada escada, a caminhada a pé, de caminhão
Seu horário nunca é cedo aonde estou
e quando escondo a minha olheira
é pra colher amor
Sala sem ela tem janela
inclina, em cerca de atenção
Ela vem, e ninguém mais
Ela vem em minha direção
Sala sem ela tem janela
inclina em cerca de atenção
Ela vem, e ninguém mais
bela vem em minha direção


(Marisa Monte / Nando Reis / Carlinhos Brown)

Espatódea

Minha cor
Minha flor
Minha cara

Quarta estrela
Letras, três
Uma estrada

Não sei se o mundo é bão
Mas ele ficou melhor
Quando você chegou
e perguntou:
Tem lugar pra mim?

Espatódea
Gineceu
Cor de pólen

Sol do dia
Nuvem branca
Sem sardas

Não sei quanto o mundo é bão
Mas ele está melhor
Desde que você chegou
E explicou
O mundo pra mim

Não sei se esse mundo estã são
Mas pro mundo que eu vim já não era
Meu mundo não teria razão
Se não fosse a Zoe


(Nando Reis)

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Meu Mundo Ficaria Completo (Com Você)

Não é porque eu sujei a roupa bem agora que eu já estava saindo.
Nem mesmo porque eu peguei o maior trânsito e acabei perdendo o cinema.
Não é porque eu não acho o papel onde anotei o telefone que eu to precisando.
Nem mesmo o dedo que eu cortei abrindo a lata e ainda continua sangrando.
Não é porque eu fui mal na prova de geometria e periga d'eu repetir de ano.
Nem mesmo o meu carro que parou de madrugada só por falta de gasolina.
Não é porque tá muito frio,
Não é porque tá muito calor.

O problema é que eu te amo.
Não tenho dúvidas que com você daria certo.
Juntos faríamos tantos planos,
Com você o meu mundo ficaria completo.
Eu vejo nossos filhos brincando,
E depois cresceriam e nos dariam os netos.

A fome que devora alguns milhões de brasileiros
perto disso já não tem importância.
A morte que nos toma a mãe insubstituível de repente
dela já nem me lembro.
A derrota de 50 e a campanha de 70 perdem totalmente o seu sentido.
As datas, fatos e aniversariantes passam sem deixar o menor vestígio.
Injúrias e promessas e mentiras e ofensas
caem fora pelo outro ouvido.
Roubaram a carteira com meus documentos,
aborrecimentos que eu já nem ligo.
Não é porque eu quis e eu não fiz.
Não é porque eu não fui eu não vou.

O problema é que eu te amo.
Não tenho dúvidas que eu queria estar mais perto.
Juntos viveríamos por mil anos porque o nosso mundo estaria completo.
Eu vejo os nossos filhos brincando com seus filhos
que depois nos trariam bisnetos.

Não é porque eu sei que ela não virá que eu não vejo a porta já se abrindo.
E que eu não queira tê-la mesmo que não tenha a mínima lógica nesse raciocínio.
Não é que eu esteja procurando o infinito a sorte pra andar comigo.
Se a fé remove até montanhas o desejo é o que torna o irreal possível.
Não é por isso que eu não possa estar feliz,
sorrindo e cantando.
Não é por isso que ela não possa estar feliz,
sorrindo e cantando.
Não vou dizer que eu não ligo,
Eu digo o que sinto e o que eu sou.

O problema é que eu te amo,
Não tenho dúvidas pois isso não é mais secreto.
Juntos morreríamos pois nos amamos e de nós o mundo ficaria deserto.
Eu vejo nossos filhos lembrando com seus filhos que já teriam seus netos.



(Nando Reis)

As Coisas Tão Mais Lindas

Entre as coisas mais lindas que eu conheci
Só reconheci suas cores belas quando eu te vi
Entre as coisas bem-vindas que já recebi
Eu reconheci minhas cores nela então eu me vi

Está em cima com o céu e o luar
Hora dos dias, semanas, meses, anos, décadas
E séculos, milênios que vão passar
Água-marinha põe estrelas no mar
Praias, baías, braços, cabos, mares, golfos
E penínsulas e oceanos que não vão secar

E as coisas lindas são mais lindas
Quando você está
Hoje você está
Onde você está
As coisas são mais lindas
Porque você está
Onde você está
Hoje você está
Nas coisas tão mais lindas


(Nando Reis)

domingo, 27 de abril de 2008

Pra Ela Voltar

Desde que ela foi embora,
Nada mais funcionou
O galo canta muito antes da aurora,
E a roupa
Ainda não secou.
Mesmo a lua que brilhava lá fora
uma nuvem de chumbo apagou
O apito do guarda noturno assopra
Só pra me lembrar que acabou.
O muro separa o mundo lá fora.
A água do poço secou.
O vidro embassa se meus lábios encostam
num beijo que não me tocou.


Diga que é pra ela voltar
Que sem ela eu não passo nada bem,
Que duas pessoas não deixam de amar,
Que uma pessoa só não conta
Que uma pessoa só não é ninguém.

Escuto um barulho num silêncio que chora,
Não reconheço esse som,
Não ouço o riso que ouvia outrora
Pois seu sorriso ela levou.
Eu entro sozinho e fecho a porta,
Acendo a luz e não encontro mais niguém
Os moveis antigos que morrem na sala estão só pra
me lembrar que acabou.



(Nando Reis)