Ter uma casa limpa, aconchegante e bela,
um florido jardim com canteiros fragrantes,
frutas frescas, bom vinho, e as crianças distantes,
para gozar em paz a fiel presença dela.
Sem dívidas, questões e sem qualquer querela,
herança a repartir, parentes litigantes,
contentar-se com um pouco, evitar intrigantes
e viver com justiça uma vida singela.
Com franqueza jovial, sonhar, sem ambições,
cultivar com prazer as caras devoções,
dominando o desejo e as tentações da sorte,
a alma livre mantendo, o raciocínio, forte,
e em paz, a conversar com Deus, em orações,
aguardar sem temer a presença da morte.
(J. G. de Araújo Jorge)
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quarta-feira, 25 de março de 2009
A Companhia
Do amor não quero mais a aventura,
quero a companhia.
Já não procuro ilusões e surpresas
se todos os caminhos foram percorridos,
se oblíquo sol da tarde alonga a minha sombra
presa ainda a meus pés, a fugir, para onde?
Quero a compreensão, a tranqüila ternura,
a presença melhor depois que amada,
a que sabe ser luz clareando a estrada,
ser aragem na fronte ardente a inquieta;
- alta maré para encobrir escolhos,
ser água para a sede que atormenta,
sombra, quando a luz doer nos olhos.
- A que inteira se dá sem pedir nada
só pela humilde alegria de se dar!
A que é pousada para o amor que vinha
já cansado de tudo e que não tinha
onde ficar.
A que tem mãos felinas, mãos que arranham
infladas de amor,
sem a gente sentir,
mãos que enlaçam, depois, cantam ternuras,
e que emberçam as nossas amarguras
e nos fazem dormir...
A que é mulher, - mar alto, porto e abrigo –
a que fica a nossa espera,
a que se pode voltar a qualquer hora...
A que sabe perdoar nossos pecados
nossos marinheiros desejos desgarrados
e não nos mandam embora...
Do amor não quero mais a aventura
quero a companhia:
a que depois do beijo
me dará a mão,
a que será minha - à noite se entregará
sem pejo -
e impoluída e pura,
continuará comigo, com a mesma ternura
no coração...
Quero a doce, a permanente companhia ...
A que depois da noite
é o meu dia,
e, com o braço em meu braço
há de acertar seu passo
na mesma direção...
(J. G. de Araújo Jorge)
quero a companhia.
Já não procuro ilusões e surpresas
se todos os caminhos foram percorridos,
se oblíquo sol da tarde alonga a minha sombra
presa ainda a meus pés, a fugir, para onde?
Quero a compreensão, a tranqüila ternura,
a presença melhor depois que amada,
a que sabe ser luz clareando a estrada,
ser aragem na fronte ardente a inquieta;
- alta maré para encobrir escolhos,
ser água para a sede que atormenta,
sombra, quando a luz doer nos olhos.
- A que inteira se dá sem pedir nada
só pela humilde alegria de se dar!
A que é pousada para o amor que vinha
já cansado de tudo e que não tinha
onde ficar.
A que tem mãos felinas, mãos que arranham
infladas de amor,
sem a gente sentir,
mãos que enlaçam, depois, cantam ternuras,
e que emberçam as nossas amarguras
e nos fazem dormir...
A que é mulher, - mar alto, porto e abrigo –
a que fica a nossa espera,
a que se pode voltar a qualquer hora...
A que sabe perdoar nossos pecados
nossos marinheiros desejos desgarrados
e não nos mandam embora...
Do amor não quero mais a aventura
quero a companhia:
a que depois do beijo
me dará a mão,
a que será minha - à noite se entregará
sem pejo -
e impoluída e pura,
continuará comigo, com a mesma ternura
no coração...
Quero a doce, a permanente companhia ...
A que depois da noite
é o meu dia,
e, com o braço em meu braço
há de acertar seu passo
na mesma direção...
(J. G. de Araújo Jorge)
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quarta-feira, 23 de julho de 2008
Ah, o amor...
Me lembro, ah, se me lembro... Eu lembraria
por mil anos ainda o que sofri;
era angústia, era dor, era agonia,
era... meu Deus! Como sobrevivi?
Ainda ouço a tua voz - cruel e fria -
renegar todo o amor que havia em ti,
ou pelo menos, que eu julguei que havia,
até... aquele instante em que te ouvi.
Depois, depois... E só eu sei o quanto
cego e faminto atropelei meus passos,
e quanta vez me vi no próprio espanto;
só eu sei... Mas voltaste... Ah, a mulher...
Ah, o amor... Fecho os olhos, abro os braços!
... Que seja tudo como Deus quiser!
(J. G. de Araújo Jorge)
por mil anos ainda o que sofri;
era angústia, era dor, era agonia,
era... meu Deus! Como sobrevivi?
Ainda ouço a tua voz - cruel e fria -
renegar todo o amor que havia em ti,
ou pelo menos, que eu julguei que havia,
até... aquele instante em que te ouvi.
Depois, depois... E só eu sei o quanto
cego e faminto atropelei meus passos,
e quanta vez me vi no próprio espanto;
só eu sei... Mas voltaste... Ah, a mulher...
Ah, o amor... Fecho os olhos, abro os braços!
... Que seja tudo como Deus quiser!
(J. G. de Araújo Jorge)
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A uma Dama
Do instante em que vos vi, minha Senhora,
fiquei cativo à vossa formosura,
e nas entranhas dessa noite escura
que é a minha vida - amanheceu a aurora!
Piedade! pois minha alma vos adora
prisioneira em dulcíssima loucura,
e amor eterno nestes versos jura
com essa ternura que em meu peito chora!
Não vos ofenda, pois, o meu carinho,
que os vossos claros olhos, possa tê-los
como luz a guiar o meu caminho...
Foi minha doce predição mirá-los
pois se a amá-los cheguei, tão-só por vê-los
certo, Senhora, hei de morrer, de amá-los!
(J. G. de Araújo Jorge)
fiquei cativo à vossa formosura,
e nas entranhas dessa noite escura
que é a minha vida - amanheceu a aurora!
Piedade! pois minha alma vos adora
prisioneira em dulcíssima loucura,
e amor eterno nestes versos jura
com essa ternura que em meu peito chora!
Não vos ofenda, pois, o meu carinho,
que os vossos claros olhos, possa tê-los
como luz a guiar o meu caminho...
Foi minha doce predição mirá-los
pois se a amá-los cheguei, tão-só por vê-los
certo, Senhora, hei de morrer, de amá-los!
(J. G. de Araújo Jorge)
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terça-feira, 22 de julho de 2008
A um pessimista
Escureces demais tuas visões,
algo de belo e bom ainda há na vida;
nem tudo na existência é uma ferida
a sangrar exaurindo as ilusões.
Certo a vida tem sombras: e as paixões
já mortas, a ternura ressequida,
tudo o que foi amado e que se olvida
é fonte de angustiosas decepções.
Mas por que duvidar, se ainda nos falam
num remoto porvir, embora obscuro,
a esperança que existe e que não vês,
a ternura profunda, o beijo puro,
as carinhosas mãos de mães que embalam
os berços cor-de-rosa dos bebes?
(J. G. de Araújo Jorge)
algo de belo e bom ainda há na vida;
nem tudo na existência é uma ferida
a sangrar exaurindo as ilusões.
Certo a vida tem sombras: e as paixões
já mortas, a ternura ressequida,
tudo o que foi amado e que se olvida
é fonte de angustiosas decepções.
Mas por que duvidar, se ainda nos falam
num remoto porvir, embora obscuro,
a esperança que existe e que não vês,
a ternura profunda, o beijo puro,
as carinhosas mãos de mães que embalam
os berços cor-de-rosa dos bebes?
(J. G. de Araújo Jorge)
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sexta-feira, 11 de julho de 2008
Ah, se tu voltasses...
Fico a me repetir, que se voltares
te olharei nos olhos sem tremer
e te direi, vingando a minha mágoa:
- já não te quero mais.
Mantenho assim de pé o orgulho
a esta espera...
...............................................................................
Ah, se tu voltasses!
(Só de pensar, sinto uma angústia, um nó
a me apertar o peito...)
- seria até capaz de ter um infarto
com este coração já tão batido
e que morre por ti, de qualquer jeito.
(J. G. de Araújo Jorge)
te olharei nos olhos sem tremer
e te direi, vingando a minha mágoa:
- já não te quero mais.
Mantenho assim de pé o orgulho
a esta espera...
...............................................................................
Ah, se tu voltasses!
(Só de pensar, sinto uma angústia, um nó
a me apertar o peito...)
- seria até capaz de ter um infarto
com este coração já tão batido
e que morre por ti, de qualquer jeito.
(J. G. de Araújo Jorge)
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Acabou
Guardo a mágoa do fim.
Tudo não acabou como uma sinfonia, num crescendo,
ou um temporal, entre clarões
- (como um gemido dilacerante,
ou um lancinante adeus...).
Na verdade,
não saberíamos mesmo explicar como acabou.
Acabou.
(J. G. de Araújo Jorge)
Tudo não acabou como uma sinfonia, num crescendo,
ou um temporal, entre clarões
- (como um gemido dilacerante,
ou um lancinante adeus...).
Na verdade,
não saberíamos mesmo explicar como acabou.
Acabou.
(J. G. de Araújo Jorge)
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A semana
Segunda, me inflamo.
Terça, te amo.
Quarta, te vejo.
Quinta, te desejo.
Sexta, te quero.
Sábado, te espero.
Domingo, te sonho.
.............................................................
E quando longe de ti,
só para ti, componho.
(J. G. de Araújo Jorge)
Terça, te amo.
Quarta, te vejo.
Quinta, te desejo.
Sexta, te quero.
Sábado, te espero.
Domingo, te sonho.
.............................................................
E quando longe de ti,
só para ti, componho.
(J. G. de Araújo Jorge)
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
A flor...
É uma flor perdida entre alvuras e brumas
que eu persigo,
flor obscura nascida em teu corpo de neve e de sol
e escondida de todos, menos do amor...
Encontro-a depois da escalada entre o céu e a queda.
E quando a tenho em meus lábios,
agarrando-me a ti
despenco no abismo.
(J. G. de Araújo Jorge)
que eu persigo,
flor obscura nascida em teu corpo de neve e de sol
e escondida de todos, menos do amor...
Encontro-a depois da escalada entre o céu e a queda.
E quando a tenho em meus lábios,
agarrando-me a ti
despenco no abismo.
(J. G. de Araújo Jorge)
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A diferença...
E afinal há uma sutil diferença
em nosso amor,
(ninguém o diz...)
Tu, queres ser feliz...
Eu, quero... te fazer feliz!
(J. G. de Araújo Jorge)
em nosso amor,
(ninguém o diz...)
Tu, queres ser feliz...
Eu, quero... te fazer feliz!
(J. G. de Araújo Jorge)
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quarta-feira, 18 de junho de 2008
Digo que esqueço
Creio que te esqueci... de agora em diante
já não há nada entre nós dois, não há,
- achaste-me orgulhoso e intolerante
e eu te achei menos fútil do que má...
Foi um momento só... foi um instante
essa nossa ilusão, e hoje, onde está
aquele amor inquieto e delirante?
- Bem que pensava: - é falso! morrerá!
Sinto apenas que tenha te adorado,
e que hoje sofra em vão, inutilmente
procurando apagar todo o passado...
Digo que esqueço... que não penso em ti!
- Mas não te esqueço nunca, e justamente
porque fico a pensar que te esqueci.
(J. G. de Araújo Jorge)
já não há nada entre nós dois, não há,
- achaste-me orgulhoso e intolerante
e eu te achei menos fútil do que má...
Foi um momento só... foi um instante
essa nossa ilusão, e hoje, onde está
aquele amor inquieto e delirante?
- Bem que pensava: - é falso! morrerá!
Sinto apenas que tenha te adorado,
e que hoje sofra em vão, inutilmente
procurando apagar todo o passado...
Digo que esqueço... que não penso em ti!
- Mas não te esqueço nunca, e justamente
porque fico a pensar que te esqueci.
(J. G. de Araújo Jorge)
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Desfolhando
Essa boca, pequena, e assim vermelha,
que ao botão de uma rosa se assemelha,
- quanta vez provocava os meus desejos
desabrochando em flor entre os meus beijos...
Essa boca, pequena e mentirosa,
que diz, tanta mentira cor-de-rosa,
- era a taça de amor onde eu saciava
toda a ansiedade da minha alma escrava ...
Beijando-a, compreendia que eras minha...
Meu amor transformava-te em rainha,
teu amor me fazia mais que um rei...
Agora, tu fugiste... E eu sofro, quando
vejo um outro em teus lábios desfolhando
a mesma rosa que eu desabrochei!...
(J. G. de Araújo Jorge)
que ao botão de uma rosa se assemelha,
- quanta vez provocava os meus desejos
desabrochando em flor entre os meus beijos...
Essa boca, pequena e mentirosa,
que diz, tanta mentira cor-de-rosa,
- era a taça de amor onde eu saciava
toda a ansiedade da minha alma escrava ...
Beijando-a, compreendia que eras minha...
Meu amor transformava-te em rainha,
teu amor me fazia mais que um rei...
Agora, tu fugiste... E eu sofro, quando
vejo um outro em teus lábios desfolhando
a mesma rosa que eu desabrochei!...
(J. G. de Araújo Jorge)
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Ciúme
Encontro em ti tudo o que imaginara
na mulher, para ser o meu ideal;
- não é só teu olhar, tua voz clara,
e essa expressão que tens, sentimental!...
Nem essa graça ingênua, hoje tão rara,
de quem não sabe onde se encontra o mal,
ou teu riso feliz, que se compara
ao tinir de uma taça de cristal...
É tudo em ti, traço por traço, tudo!
As tuas mãos são rendas de ternura;
teus carinhos, macios, de veludo.
Por isso mesmo é que é maior a dor,
quando amargo a mais íntima tortura
por não ter sido o teu primeiro amor...
(J. G. de Araújo Jorge)
na mulher, para ser o meu ideal;
- não é só teu olhar, tua voz clara,
e essa expressão que tens, sentimental!...
Nem essa graça ingênua, hoje tão rara,
de quem não sabe onde se encontra o mal,
ou teu riso feliz, que se compara
ao tinir de uma taça de cristal...
É tudo em ti, traço por traço, tudo!
As tuas mãos são rendas de ternura;
teus carinhos, macios, de veludo.
Por isso mesmo é que é maior a dor,
quando amargo a mais íntima tortura
por não ter sido o teu primeiro amor...
(J. G. de Araújo Jorge)
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Carta
Aqui, tudo é bonito e quieto, a gente
vai vivendo uma vida sempre igual...
- Há um dia que o regato de cristal
de águas turvas ficou devido à enchente...
Os dias têm passado, lentamente,
e um tédio sinto em mim, de um modo tal,
que às vezes, fico até sentimental,
lembrando-me de ti, saudosamente...
Quando estavas aqui, - tudo era lindo...
Como um doce casal de beija-flores,
vivíamos os dois sempre sorrindo...
Por que não voltas?... Vem!... - Se tu voltares
o céu há de cobrir-se de outras cores...
- as flores voltarão pelos pomares!..
(J. G. de Araújo Jorge)
vai vivendo uma vida sempre igual...
- Há um dia que o regato de cristal
de águas turvas ficou devido à enchente...
Os dias têm passado, lentamente,
e um tédio sinto em mim, de um modo tal,
que às vezes, fico até sentimental,
lembrando-me de ti, saudosamente...
Quando estavas aqui, - tudo era lindo...
Como um doce casal de beija-flores,
vivíamos os dois sempre sorrindo...
Por que não voltas?... Vem!... - Se tu voltares
o céu há de cobrir-se de outras cores...
- as flores voltarão pelos pomares!..
(J. G. de Araújo Jorge)
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Caminheiro
Eu ando pela vida à procura de alguém
que saiba compreender minha alma incompreendida,
alguém que queira dar-me a sua própria vida
como eu lhe dar pretendo o meu viver também...
Caminheiro do ideal - seguindo para o além
vou traçando uma rota estranha e indefinida,
- não sei se em minha estrada hei de encontrar guarida,
ou se eterno hei de andar, sem rumo e sem ninguém.. .
Já me sinto cansado... E em vão ainda caminho
na ilusão de encontrar um dia a companheira
que me ajude na vida a construir meu ninho...
Boêmia do destino!... Hei de andar... hei de andar...
até que esta minha alma errante e aventureira
descanse numa cruz cansada de sonhar!...
(J. G. de Araújo Jorge)
que saiba compreender minha alma incompreendida,
alguém que queira dar-me a sua própria vida
como eu lhe dar pretendo o meu viver também...
Caminheiro do ideal - seguindo para o além
vou traçando uma rota estranha e indefinida,
- não sei se em minha estrada hei de encontrar guarida,
ou se eterno hei de andar, sem rumo e sem ninguém.. .
Já me sinto cansado... E em vão ainda caminho
na ilusão de encontrar um dia a companheira
que me ajude na vida a construir meu ninho...
Boêmia do destino!... Hei de andar... hei de andar...
até que esta minha alma errante e aventureira
descanse numa cruz cansada de sonhar!...
(J. G. de Araújo Jorge)
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terça-feira, 17 de junho de 2008
Assim...
Assim foi nosso amor... um sonho que viveu
de um sonho, e despertou na realidade um dia...
Um pouco de quimera ao léu da fantasia...
Um flor que brotou e num botão morreu...
Embora sendo nosso, este amor foi só meu,
porque o teu, não foi mais que pura hipocrisia,
- no fundo, há muito tempo, a minha alma sentia
este fim que o destino afinal já lhe deu...
Não podes, bem o sei - sendo mulher como és,
saber quanto sofri, vendo esta flor desfeita
e as pétalas no chão, pisadas por teus pés...
Que importa ? Hás de sofrer mais tarde - a vida é assim...
Esse mesmo sorrir que agora te deleita
é o mesmo que depois há de amargar teu fim!...
(J. G. de Araújo Jorge)
de um sonho, e despertou na realidade um dia...
Um pouco de quimera ao léu da fantasia...
Um flor que brotou e num botão morreu...
Embora sendo nosso, este amor foi só meu,
porque o teu, não foi mais que pura hipocrisia,
- no fundo, há muito tempo, a minha alma sentia
este fim que o destino afinal já lhe deu...
Não podes, bem o sei - sendo mulher como és,
saber quanto sofri, vendo esta flor desfeita
e as pétalas no chão, pisadas por teus pés...
Que importa ? Hás de sofrer mais tarde - a vida é assim...
Esse mesmo sorrir que agora te deleita
é o mesmo que depois há de amargar teu fim!...
(J. G. de Araújo Jorge)
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J. G. de Araújo Jorge
Amargura
Só podes me ofertar o silêncio e a amargura,
- meu pobre amor de ti só espera a indiferença...
Perdoa o meu amor... perdoa-me a loucura
que quem tem, como eu tenho, um coração, não pensa...
Há muito pela vida eu seguia à procura
de alguém que viesse encher de luz minha descrença...
Foi então que te vi... e julguei que a ventura
pudesse ainda encontrar nesta jornada imensa...
E foi assim que um dia eu fui sentimental...
Acreditei no amor... E, talvez por castigo
fizeste-me sofrer - mas não te quero mal...
Quem amou, fui eu só... Eu nunca fui amado!...
Mereço a minha dor, e este sofrer bendigo
na amargura cruel de me julgar culpado!
(J. G. de Araújo Jorge)
- meu pobre amor de ti só espera a indiferença...
Perdoa o meu amor... perdoa-me a loucura
que quem tem, como eu tenho, um coração, não pensa...
Há muito pela vida eu seguia à procura
de alguém que viesse encher de luz minha descrença...
Foi então que te vi... e julguei que a ventura
pudesse ainda encontrar nesta jornada imensa...
E foi assim que um dia eu fui sentimental...
Acreditei no amor... E, talvez por castigo
fizeste-me sofrer - mas não te quero mal...
Quem amou, fui eu só... Eu nunca fui amado!...
Mereço a minha dor, e este sofrer bendigo
na amargura cruel de me julgar culpado!
(J. G. de Araújo Jorge)
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A vida que eu sonhei...
Eu sonhei para mim, uma vida discreta
num lugar bem distante, a sós, tendo-te ao lado
- num castelo que fiz lá num reino encantado,
nesse reino que eu chamo o coração de um poeta...
Sonhei... Vi-me feliz na solidão de asceta,
bem longe deste mundo, a rir, despreocupado...
- acordando a escutar no arvoredo o trinado
das aves, e a dormir fitando a lua inquieta...
Vivia na ilusão daquele que ainda crê,
na vida, e o meu amor, eu o tinha idealizado
no romance de um lar coberto de sapê...
- Mentiras que eu sonhei!... No entanto hoje me ponho
muita vez a pensar no tal reino encantado
e sinto uma saudade imensa do meu sonho!...
(J. G. de Araújo Jorge)
num lugar bem distante, a sós, tendo-te ao lado
- num castelo que fiz lá num reino encantado,
nesse reino que eu chamo o coração de um poeta...
Sonhei... Vi-me feliz na solidão de asceta,
bem longe deste mundo, a rir, despreocupado...
- acordando a escutar no arvoredo o trinado
das aves, e a dormir fitando a lua inquieta...
Vivia na ilusão daquele que ainda crê,
na vida, e o meu amor, eu o tinha idealizado
no romance de um lar coberto de sapê...
- Mentiras que eu sonhei!... No entanto hoje me ponho
muita vez a pensar no tal reino encantado
e sinto uma saudade imensa do meu sonho!...
(J. G. de Araújo Jorge)
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À espera
Ela tarda... E eu me sinto inquieto, quando
julgo vê-la surgir, num vulto, adiante,
- os lábios frios, trêmula e ofegante,
os seus olhos nos meus, linda, fitando...
O céu desfaz-se em luar... Um vento brando
nas folhagens cicia, acariciante,
enquanto com o olhar terno de amante
fico à sombra da noite perscrutando...
E ela não vem... Aumenta-me a ansiedade:
- o segundo que passa e me tortura,
é o segundo sem fim da eternidade...
Mas eis que ela aparece de repente!...
- E eu feliz, chego a crer que igual ventura
bem valia esperar-se eternamente!...
(J. G. de Araújo Jorge)
julgo vê-la surgir, num vulto, adiante,
- os lábios frios, trêmula e ofegante,
os seus olhos nos meus, linda, fitando...
O céu desfaz-se em luar... Um vento brando
nas folhagens cicia, acariciante,
enquanto com o olhar terno de amante
fico à sombra da noite perscrutando...
E ela não vem... Aumenta-me a ansiedade:
- o segundo que passa e me tortura,
é o segundo sem fim da eternidade...
Mas eis que ela aparece de repente!...
- E eu feliz, chego a crer que igual ventura
bem valia esperar-se eternamente!...
(J. G. de Araújo Jorge)
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A dor maior
Não quis julgar-te fútil nem banal
e chamei-te de criança tão-somente,
- reconheço, no entanto, infelizmente,
que, porque te quis bem, julguei-te mal.
Pensei até, (e o fiz ingenuamente...)
ter encontrado a companheira ideal...
Quis julgar-te das outras diferente,
e és como as outras todas afinal...
Hoje, uma dor estranha me consome
e um sentimento a que não sei dar nome
faz-me sofrer, se lembro o amor perdido...
A dor maior... A maior dor, no entanto,
vem de pensar de ter-te amado tanto
sem que ao menos tivesses merecido!...
(J. G. de Araújo Jorge)
e chamei-te de criança tão-somente,
- reconheço, no entanto, infelizmente,
que, porque te quis bem, julguei-te mal.
Pensei até, (e o fiz ingenuamente...)
ter encontrado a companheira ideal...
Quis julgar-te das outras diferente,
e és como as outras todas afinal...
Hoje, uma dor estranha me consome
e um sentimento a que não sei dar nome
faz-me sofrer, se lembro o amor perdido...
A dor maior... A maior dor, no entanto,
vem de pensar de ter-te amado tanto
sem que ao menos tivesses merecido!...
(J. G. de Araújo Jorge)
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